Breves comentários e análise sobre o artigo "NFV: Security Threats and Best Practices"​

23 Oct 2018

OBRA ANALISADA

S. Lal, T. Taleb and A. Dutta, “ NFV: Security Threats and Best Practices “ in IEEE Communications Magazine, vol. 55, no. 8, pp. 211- 217, 2017.

IDÉIAS CENTRAIS DA OBRA

A virtualização de funções de rede ( NFV, em inglês) provê numerosos benefícios, principalmente no tocante às travas impostas pelos fornecedores de hardware de telecom, contudo, esse bônus, carrega o custo de seu ônus na forma de falhas de segurança. As redes móveis virtualizadas, no paradigma do NFV, se tornam vulneráveis a muitas ameaças.

Porém elas podem ser mitigadas com o auxílio de algumas técnicas e com o uso de outras soluções que derivam dessas novas tecnologias de infraestrutura. Este resumo apresentará as ameaças mais críticas que poderão surgir numa infraestrutura NFV e proporá as melhores práticas de segurança para mitigar e proteger-se contra elas.

PROBLEMAS PROVENIENTES DA IMPLANTAÇÃO NFV

Quando um atacante consegue acessar o hipervisor por comprometer algum das funções de rede rodando em uma virtualização, temos uma falha de isolamento. Este ataque é possível quando há falhas no isolamento entre o hipervisor e a virtualização, usando algumas ferramentas o atacante consegue ganhar acesso à API de gerência do hipervisor e à ‘nuvem’ da rede de gerenciamento. Em um caso prático uma aplicação rodando em NFV poderia enviar pacotes forjados com o propósito de explorar um estouro de buffer (heap overflow), e deste processo virtualizado comprometido, ganhar acesso ao host.

A facilidade de se criar serviços virtualizados de forma dinâmica podem resultar em erro humano, quando um router é criado e usado para interconectar redes virtuais sem o uso de quaisquer firewalls, pode ocorrer chamada falha na implementação e validação da topologia da rede. Com o conhecimento da topologia, um atacante poderia transferir funções virtualizadas para locais de segurança reduzida. Em uma estrutura formal de telecom não é possível forçar a existência desta fora de certas marcas legais, contudo, usando NFV a violação de marcos regulatórios locais se torna possível pois é factível a troca de uma NFV de um local onde a legislação é favorável para outro onde não é. A consequência dessas violações podem vir na forma do completo banimento do serviço ou na execução de alguma penalidade financeira grave. Outra possibilidade é o ataque mirar na violação da privacidade do conteúdo de um banco de dados. Negações de serviço podem ser direcionadas para as interfaces de redes virtualizadas de modo a exaurir seus recursos e impactar na disponibilidade do serviço.

Uma NFV comprometida pode gerar grandes quantidades de LOG no hipervisor, causando ou a dificuldade de leitura dos registros, ou em pior cenário, a exclusão de dados importantes de log devido a rotatividade de tempo ( logs mais antigos sendo excluídos quando gerados mais recentes). Um grande risco que sempre existirá em qualquer infraestrutura será o atacante interno, quando um administrador pode agir de forma negligente ou até mesmo maliciosa, como o administrador tem acesso raíz às virtualizações, ele pode gerar dumps e deles extrair informações sensíveis.

MELHORES PRÁTICAS PARA MITIGAR OS POSSÍVEIS PROBLEMAS

Usando uma plataforma modular confiável como a raíz do processo de confiança, componentes sensíveis como firmware, BIOS, bootloaders, OS Kernel e outros, podem ser armazenados e verificados de forma segura. A segurança se dá porque não é possível modificar tal plataforma em tempo de execução, e a validação desta pode ser feita através de um servidor remoto ou de uma política de controle.

O hipervisor habilita virtualização de funções entre camadas de hardware e máquinas virtuais. Com essa centralização se torna mais fácil gerenciar a questão de atualizações e patches de segurança da infraestrutura, outra prática que é facilitada pela centralização criada pelo hipervisor é desabilitar todos serviços que não estejam em uso, por exemplo SSH e acesso remoto não são necessários todo o tempo, portanto não precisam estar disponíveis todo o tempo.

Uma boa prática a ser seguida é a separação do tráfego real do tráfego gerencial das virtualizações, isso irá prevenir ataques vindos de um tráfego e direcionados ao outro. Também é boa prática separar as VLANs em grupos e desabilitar o que não está em uso. As funcionalidades virtualizadas com similaridades podem ser agrupadas em chamadas “zonas seguras”, onde o tráfego possa ser isolado e controlado por firewalls de forma mais simplificada e assertiva.

O Kernel do sistema do ‘Host’ é um componente importantíssimo que provê isolamento entre aplicações. A virtualização segura (sVirt) é uma nova forma de integrar novos hipervisores baseados em Linux. O ‘sVirt’ promove o isolamento entre processos virtualizados e seus arquivos de dados, um exemplo bem prático disso é o ‘hidepd’ que pode ser usado para prevenir usuários não autorizados de enxergarem processos vinculados a outros usuários.

O hipervisor pode se comportar de forma ‘introspectiva’ para fazer o escrutínio das aplicações sendo executadas dentro de virtualizações, de modo a verificar anomalias em suas atividades. Utilizando essa habilidade, o hipervisor pode monitorar as atividades do tráfego de rede, os acessos aos arquivos em storages e ler a memória em execução. É uma ferramenta poderosa que pode executar varreduras profundas em virtualizações em execução.

Os discos virtuais que contém as virtualizações das VNFs podem conter dados extremamente sensíveis, de modo que precisam ser protegidos. A melhor forma de proteger dados armazenados é utilizando chaves criptográficas em locais seguros. o TPM pode ser usado para armazenar tais chaves e o hipervisor pode ser configurado para ‘limpar’ os discos virtuais se certas condições de eventos acontecerem, segmentos de memória podem ser movidos para o disco como uma memória secundária, caso haja quebra de segurança nos módulos de memória alocados à virtualização.

Pela facilidade de se conseguir alterar uma imagem de virtualização ( afinal, trata-se de um sistema operacional embarcado) enquanto ela é colocada no ar em um hipervisor ( seja através de um banco de dados de imagens, seja através de um nodo computacional) deve-se sempre procurar formas de ‘assinar’ a imagem, para que ela seja verificada após o deploy na virtualização e se consiga verificar a assinatura durante o boot damesma. Isso é possível com a ajuda de autoridades certificadoras e modificações no hipervisor para que haja essa checagem antes do ‘boot’ de tal virtualização.

Uma ótima prática consiste no gerenciamento da segurança de forma orquestrada, que incorpore tanto a segurança quanto os requisitos de confiabilidade desse novo modelo de infraestrutura. Essa ferramenta se torna muito útil pois consegue configurar limites escalares na plataforma e no descritor de serviços da rede, de modo que as restrições geradas protejam contra ataques, como uma amplificação de DNS, por exemplo. Seguindo o conceito do TPM mencionado anteriormente, a confirmação de veracidade de forma remota é uma técnica que verifica o status da plataforma NFV, ela pode ser usada tanto pelo dono da plataforma quanto pelo cliente que queira confirmar que a plataforma foi inicializada de uma forma confiável.

PROPOSTAS DE NOVOS MECANISMOS PARA SEGURANÇA

Ainda há um longo caminho adiante, se bem adotada, uma rede controlada por software de fato pode trazer redução de custos, mas a necessidade de integrar com equipes de TI e rede também aumenta muito, existem ainda dificuldades como padronização de equipamentos entre múltiplos fornecedores, interoperabilidade e protocolos abertos como aspectos essenciais (e ainda não plenamente atendidos) para que as redes definidas por software e os serviços virtualizados se tornem uma realidade.

Nesse aspecto de interoperabilidade a Fundação Linux, organização sem fins lucrativos dedicada ao Linux e ao desenvolvimento colaborativo, anunciou no fim de 2014, a criação do projeto Open Platform for NFV (OPNFV - Plataforma Aberta para Network Functions Virtualization).

Ela será uma plataforma de código aberta altamente confiável e integrada, e terá o objetivo de acelerar a adoção de novos produtos e serviços na área, empresas como Ericsson, Juniper entre outras também se juntaram à essa ideia de interoperabilidade, essa plataforma aberta poderá gerar novas formas de hipervisores que consigam centralizar muitas soluções virtualizadas e que escalem.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

https://www.ericsson.com/res/region_RLAM/press-release/2016/2016-11-24-nfv-po.pdf
http://www.junipernetworks.com.br/os-caminhos-para-o-sdn-e-nfv
https://wiki.opnfv.org/

Postagem inicial no meu perfil do LinkeDin